Retórica

O que é a Retórica?

Córax

[É uma arte] “criadora de persuasão”
in Olivier Reboul, Introdução à Retórica, trad. Ivone Castilho Benedetti(1998)

Protágoras

“Diógenes Laércio atribui a Protágoras ter sido o primeiro a defender a opinião de que existem dois discursos antitéticos sobre todas as coisas e Aristóteles imputa-lhe a arte de tornar mais forte o argumento (ou discurso) mais fraco”.
Vaz Pinto, M. J. A., Doutrina do Logos na Sofistica (2000)

Górgias
O poder da palavra [logos] sobre a constituição do espírito pode ser comparado com o efeito das drogas no organismo: tal como as drogas, ao provocarem diferentes estados de ânimo no corpo humano, podem pôr fim às doenças ou à vida, assim tambem com o discurso: diferentes palavras podem induzir preocupação, prazer ou medo ou, através de um tipo de persuasão mal intencionada, entorpecer ou enfeitiçar o espírito. (in Kathleen Freeman, Ancilla to the Pre–Socratic Philosophers)

Encomium on Helen (450–400 BC)

Platão
(SÓCRATES) “(…) aquilo a que eu chamo retórica é uma parte de um todo que não pertence ao número das coisas belas (…) num género de ocupação que nada tem de científico e que exige um espírito intuitivo e empreendedor, por natureza apto para o convívio com as pessoas. Dou-lhe o nome geral de adulação. (…) a retórica é um simulacro da política (…) Acho que feia, visto que considero feio tudo o que é mau.

Gorgias, trad. Manuel de Oliveira Pulquério, Edições 70 (1991)

Aristóteles

“É a faculdade de considerar, para cada questão, o que pode ser apropriado para persuadir”.
Rhétorique, 1355 b25, trad. franc. C.-E. Ruelle (1991)

Quintiliano
É “a ciência de bem dizer (….) que abarca ao mesmo tempo todas as perfeições do discurso e a própria moralidade do orador, pois que não é possível falar verdadeiramente sem se ser homem de bem”

Institutiones Oratoires, II, XV, trad. franc. Ouizille (1865)

Schopenhauer
“A eloquência é a faculdade de fazer partilhar as nossas opiniões e a nossa maneira de pensar a propósito de uma coisa, de lhes comunicar os nossos próprios sentimentos, de os pôr em sintonia conosco. E devemos chegar a esse resultado, fazendo penetrar por meio das palavras as nossas idéias nos seus cérebros com uma força tal que os seus próprios pensamentos se desviem do seu curso primitivo para seguir as nossas. E a obra-prima será tanto mais perfeita quanto o curso das suas idéias difira anteriormente mais das nossas”

Cit. in F. Nietzsche, Da retórica, trad. Tito Cardoso e Cunha, Vega (1995)

Nietzsche
“Mas não é difícil provar, à luz do entendimento, que o que se chama ‘retórica’, para designar os meios de uma arte consciente, estava já em acto, como meios de uma arte inconsciente, na linguagem e no seu devir, e mesmo que a retórica é um aperfeiçoamento dos artifícios já presentes na linguagem. (…) a linguagem ela mesma é o resultado de artes puramente retóricas.”

Da retórica, trad. Tito Cardoso e Cunha, Vega (1995)

Michel Meyer

“É a negociação da distância entre os homens a propósito de uma questão, de um problema.”
As bases da Retórica in Retórica e Comunicação, trad. Fernando Martinho (1994)

Olivier Reboul

“É a arte de persuadir pelo discurso”.
Olivier Reboul, Introdução à Retórica, trad. Ivone Castilho Benedetti (1998)

Chaim Perelman
“É o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão dos espíritos às teses apresentadas ao seu assentimento.”

Tratado da Argumentação, trad. Maria Ermantina Galvão, Martins Fontes (1999)

A. Richards

“A Retórica, enfatizo, deve ser um estudo do desentendimento e seus remédios.”
The Philosophy of Rhetoric (1936)

Armando Plebe & Pietro Emanuele
[É uma] “arte de inventar não só limitada àquela das suas três partes antigas dedicada especificamente à inventio, mas abrangendo também as outras duas, a dispositio e a a elocutio. Na primeira trata-se de inventar os temas conceptuais, na segunda de inventar o ordenamento e a coerência dos pensamentos, na terceira de inventar as formas expressivas desses pensamentos”.

Manual de retórica, trad. Eduardo Brandão, Martins Fontes (1992)

Kant
“Toda a argumentação (…) deve não só persuadir, mas convencer, ou , pelo menos contribuir para a convicção (…) porque senão o intelecto fica seduzido, mas não convencido” (Crítica do Juízo)

Cit. In Armando Plebe e Pietro Emanuele, Manual de retórica, trad. Eduardo Brandão, Martins Fontes (1992)

Peirce
“A retórica especulativa é o estudo das condições necessárias da transmissão do significado, de uma mente a outra ou de um estado mental a outro, mediante os signos”.

Collected Papers, Cambridge, (1931)

Pierre Oléron
[O procedimento intelectual e social da argumentação é um] “procedimento por meio do qual uma pessoa, ou um grupo, visa levar um auditório a adoptar uma posição, recorrendo a apresentações ou asserções – argumentos – destinados a mostrar a sua validade ou legitimidade”.

L’Argumentation, PUF, “Que sais-je?”, nº. 2087 (1993)

G.B. Kerferd
“(…) a retórica engloba (…) toda a arte das relações públicas e de apresentação de imagens, sendo a teoria desta arte aquela que os sofistas inauguraram.”

The Sophistic movement (1981)

Philippe Breton & Gilles Gauthier
“A argumentação retórica distingue-se nitidamente, desde Aristóteles dos modos de convencer próprios do discurso científico. Interessa-se mais por enunciados ou, mais globalmente, por situações de comunicação pertencentes à vida social, religiosa ou política, tanto no espaço público como na conversação privada. O estatuto epistemológico destes enunciados é o ‘verosímil’ e não o da ‘verdade’ “

História das Teorias da Argumentação, trad. Maria de Carvalho, Bisâncio (2001)

John Locke
“(…) se quisermos representar as coisas como são, é preciso reconhecer que, exceptuando a ordem e a nitidez, toda a arte da retórica, todas as aplicações artificiais e figuradas que nela se fazem das palavras, segundo as regras que a eloqüência inventou, para outra coisa não servem senão para insinuar idéias no espírito, despertar paixões e seduzir pelo julgamento, de tal modo que na verdade são perfeitos logros.”

Cit. in Todorof, T.Théories du symbole (1977)

Kenneth Burke
[A Retórica] “tem a sua raiz numa função essencial da linguagem, uma função bastante realística e que renasce continuamente; o uso da linguagem como um meio simbólico de induzir a cooperação entre seres que, por natureza, respondem aos símbolos.”

A Rhetoric of Motives (1950)

Paolo Valesio

“Retórica é toda a linguagem, na sua realização como discurso.”

Novantiqua: Rhetorics as a Con temporary Theory (1980)

Steven Mailloux

“(…) retórica [é] a eficácia política do tropo e do argumento na cultura. Esta definição funcional inclui dois significados tradicionais da retórica – linguagem figurativa e acção persuasiva (…)”
Rhetorical Power (1989)

Jacques Derrida
“Na retórica e na oratória, a mesma frase pode surtir grandes efeitos ou nenhum efeito, dependendo das condições que não são verbais ou retóricas. Penso que um consciente e experiente professor de Retórica deve ensinar precisamente aquilo que se chama de “pragmática”, ou seja, os efeitos da retórica não dependem apenas do modo como se pronuncia as palavras, do modo com que se usa os tropos, nem do modo como são compostos. Eles dependem de certas situações: situações políticas, situações econômicas – até mesmo da situação libidinal.”

in “Rhetoric and Composition: A Conversation. ” Journal of Advanced Composition 10.1 (1990)

Desidério Murcho

A retórica de que em geral se fala é a arte de enganar; é a arte de usar todos os dispositivos possíveis para influenciar o auditório, apelando para os seus instintos mais baixos, ou para argumentos que parecem razoáveis mas não o são (as falácias) .
A Argumentação na Comunicação Empresarial (2001)
http://critica.no.sapo.pt/fil_comunicacaoempresarial.html

Américo de Sousa

A argumentação (ou retórica) – enquanto processo discursivo de influência – deita mão de todos os recursos persuasivos disponíveis e o raciocínio lógico ou quase lógico, a sugestão e até a sedução, não são senão diferentes e interligados modos dela se manifestar. (…) nem a persuasão se mostra incompatível com a dimensão ético-filosófica da comunicação, nem o imperativo da discutibilidade crítica condena, a priori, o recurso ao elemento persuasivo. A comunicação afirma-se pela eficácia com que cumpre os seus objectivos. Sem eficácia, não passa de um simulacro. Sem persuasão, não se cumpre.
A Persuasão, Edit. Universidade da Beira Interior (2001)

Fontehttp://www.persuasao.com/autores.htm

O excelente blog de Américo de Souza.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: