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A Arte de Amar – Erich Fromm – Martins Fontes – 45,50

A linguagem simples, o tratamento teórico por vezes simplório mascaram a profundidade desta obra. Sua principal tese é simples de resumir: o amor não é um sentimento que qualquer pode usufruir, ele está ligado ao grau de maturidade que a pessoa adquiriu. É preciso aprender a amar. Embora possa parecer autoajuda, as reflexões partem da psicanálise, do marxismo e da experiência do autor como analista e membro da Escola de Frankfurt. O autor revela os mecanismo sociais e psicológicos que impedem as pessoas de amar e que fazem com que caiam em pseudoamores. Fala do amor romântico, do amor dos pais, do amor ao próximo e do amor a Deus. Sem conseguir amar ao próximo, não se pode amar verdadeiramente ninguém. Amor exige respeito, para que não vire dominação, exige conhecimento, o amor é filho da compreensão, exige cuidado, ninguém acredita no amor de uma mãe que não cuida de seus filhos, exige responsailidade, quem ama responde pelo outro. Mostrando visões erradas a respeito do amor, da responsabilidade e da liberdade, Fromm nos apresenta o amor como a única coisa que pode dar sentido à separação/isolamento que sentimos desde o nascer. Belíssimo. Recomendo a todos.

 

Sobre a Fundamentação – Manfredo  Araújo de Oliveira – EDIPUCRS – 8,60

Começando da filosofia antiga, passando  pelos modernos até chegar aos contemporâneos, o autor mostra que a filosofia sempre esteve vinculada a um projeto de fundamentação do conhecimento. As ciências particulares, em útima instância partem de seus axiomas, que não recebem justificação. Caberia a filosofia fundamentar estes axiomas. Por isso a Aritóteles diz que ela seria a ciência dos primeiros princípios, ou Fichte que vai chamá-la de a rainha das ciências. Após apresentar este projeto, vinculando-o com a história da filosofia, o autor chega aos filósofos contemporâneos como Apel e Hösle, apresentando a visão destes autores, qual seja, a pragmática transcendental e o idealismo objetivo. O texto é claro, rico em referências e de leitura agradável. Para o filósofo ou para o leigo aqui se encontra uma visão do que a tradição sempre entendeu por filosofia. É uma visão bem comum nos filósofos de hoje e do passado, sobretudo nos alemães. Para aqueles que se perguntam o que é a filosofia, este livrinho fornece uma resposta adequada.

 

 

Lógica e Forma de Vida – Alexandre Noronha Machado – Unisinos – 48,00

Este é um livro para o estudioso da obra de Wittgenstein. Não é uma introdução. Apesar de ser um texto ambicioso, quer abordar as principais obras de Wittgenstein – Tractatus Logico-Philosophicus e Investigações Filosóficas – fazendo a ponte entre uma e outra, o texto não é superficial, é denso, aprofundando cada aspecto das teorias de Wittgenstein em detalhes. Desconheço autor que tenha levado suas análises sobre Wittgenstein tão a fundo. Conhecendo bem as obras de Russel e Frege o autor mostra em detalhes a evolução do pensamento de Wittgenstein, desde as idéias de Frege e Russel, passando pelo caderno de notas até o Tractatus e depois as Investigações. O autor dialoga com intérpretes famosos de Wittgenstein no mundo de língua inglesa. O texto é claro, o livro é bem organizado, no início de cada seção são listadas as principais teses apresentadas ao longo da seção. Pela profundidade e alcance, ninguém que esteja interessado em Wittgensein pode deixar de ler este livro.

 

 

 

Iniciação ao Silêncio – Paulo Roberto Margutti Pinto – Loyola – 41,80

Livro indicado para um primeiro contato com o Tractatus de Wittgenstein devido a sua clareza. Mas embora possa ser usado como livro introdutório, não se trata apenas de uma conversa sobre a filosofia de Wittgenstein. O autor apresenta e defende uma interpretação própria e profunda do Tractatus. Para ele o Tractatus é uma obra de iniciação, o leitor, via clarificação da linguagem, deveria reconstituir os passos de Wittgenstein e ao atingir o aforismo 7 do livro passar pela mesma experiência mística que Wittgenstein parece ter experimentado na guerra, renunciasse às tentativas de dizer o inexprimível, reconhecendo o indizível contido no dizer, para então ver o mundo da maneira correta – a contemplação do silêncio místico. Para além de uma interpretação do Tractatus o livro é também um experimento onde o autor testa um método de interpretação de textos filosóficos desenvolvido por ele. Este método é apresentado em detalhes e cada passo de sua aplicação é esclarecido. Acredito que essa obra é a que melhor representa o espírito com que devemos ler o Tractatus. O autor consegue ser objetivo, claro e profundo ao mesmo tempo.

 

Tractatus Logico-Philosophicus – Ludwig Wittgenstein – EDUSP – 38,00

Sem dúvida uma das obras filosóficas mais importantes do século XX. Essa versão vem com uma ótima e extensa introdução ao tema (+ de 80 pags) fornecendo muito do que é necessário para compreender o livro. Além disso é uma versão bilíngue. O Tractatus é uma obra de difícil leitura, para um primeiro contato seria melhor um intérprete como Iniciação ao Silêncio de Paulo Margutti ou Lógica e Forma de Vida de Alexandre Machado, provavelmente os maiores intérpretes de Wittgenstein no Brasil. Apesar dessa dificuldade, o livro é genial, além de que ele pode ser uma das últimas grandes tentativas de construir um sistema filosófico. O livro trata de problemas tanto da tradição analítica (Frege e Russel) quanto da tradição transcendental (Kant e Schopenhauer), questões fundamentais da filosofia de seu tempo. Nas palavras de Russel, “um livro que nenhum filósofo sério pode se permitir ignorar”.

 

 

 

Homo Ludens – Johan Huizinga – Perspectiva – 29,00

Huizinga é provavelmente o maior teórico do jogo. De sua teoria é de onde partem tanto seguidores e  críticos como outros estudiosos do jogo. O livro primeiro define o conceito jogo. Para o autor interpretar, brincar, rituais, jogos típicos, festas entre outras coisas são consideradas jogos. Tudo aquilo que se passa dentro de um tempo e espaço definido, é tido como diferente do cotidiano, envolve inteiramente o participante, possui regras que devem ser estritamente seguidas e é um fim em si mesmo, não é feito em função de algo é jogo. Munido desse conceito poderoso ele interpreta os rituais e textos dos antigos gregos e hindus mostrando que há neles inegavelmente um aspecto lúdico. Os rituais dos selvagens é uma forma de jogo. Depois o autor analisa a lei e o jogo, a filosofia e o jogo, a guerra e o jogo, a arte e o jogo, por fim a cultura e o jogo. O jogo é anterior a cultura, tanto é que os animais jogam. Para o autor o jogo é o fundamento da cultura, todas as manifestações mais humanas teriam nele sua fonte. O método usado é o da análise etimológica, pois o autor é um renomado filólogo.

 

 

 

Jogo, Teatro e Pensamento – Richard Courtney – Perspectiva – 32,00

O livro abrange praticamente todas as abordagens teóricas elaboradas sobre os jogos. Ele fornece resumos de cada uma delas, apresenta as críticas mais comuns e fornece ampla bibliografia. Teorias já ultrapassadas sobre os jogos como a teoria da energia excedente, do pré-exercício, teorias fisiológicas… também são abordadas. O objetivo do autor é defender o uso do teatro na educação. Por isso ele fornece fundamentos teóricos, história do teatro na educação e práticas adotadas atualmente. O livro aborda a psicanálise (Freud e Jung), o psicodrama, a teoria de Piaget… Para todos aqueles que trabalham com jogos, ou que pensam em fazer algum trabalho sobre o tema, este é um livro muito bom como uma primeira aproximação. Dá uma visão geral sobre o que foi escrito sobre os jogos, as principais teorias e autores, aprofundando tanto quanto possível cada uma das abordagens. Um esboço da história do teatro também é apresentada, desde o teatro grego, asiático e indígena até o contemporâneo.

 

 

 

 

 

 

O Jogo das Contas de Vidro – Hermann Hesse – Record ou BestBolso – 52,90 ou 19,90

Esta obra constitui para mim a maior realização do espírito humano. O livro conta a vida de José Servo, desde criança quando foi selecionado para estudar nas escolas de elite até se tornar o mestre do jogo de avelórios. O tal jogo não é apenas um pretexto para a história e nem é pura invenção, é algo visivelmente presente na história da filosofia e das religiões. Está em Pitágoras, Platão, Cusa, Hegel… e mesmo nas ciências: Ludwig von Bertalanffy, criador da teoria geral dos sistemas, reconhece em O Jogo das Contas de Vidro um antecessor literário de sua teoria (vide o livro Teoria Geral dos Sistemas). O modo como o autor apresenta o caráter de José Servo, sua mistura de ousadia e timidez, sua servidão e sua liberdade é algo belíssimo. O livro fala sobre a formação espiritual, da busca da plenitude, da busca pela quietude espiritual. Embora seja dito que é uma obra futurista, tem-se a impressão que a história se passe em um mosteiro do século XIV. O livro inclui também algumas poesias de Jose Servo e três textos de sua autoria. Para mim, tratando-se de literatura, é o que de melhor se produziu até hoje.

 

 

Confissões de um Filósofo – Bryan Magee – Martins Fontes – Esgotado

Magee é insuperável como divulgador da filosofia. No início do livro ele apresenta problemas filosóficos típicos, mas de uma perspectiva totalmente nova. Sua abordagem procura mostrar que estes problemas não são abstratos, mas concretos. Que surgem da própria vida. São questões que pessoas de imaginação crítica não conseguem ignorar. Ao longo do livro ele narra seu contato com a filosofia, suas descobertas no mundo no mundo dos filósofos e em que pé anda suas investigações sobre ela. Fala das séries de TV que fez para a BBC sobre filosofia, sobre seu relacionamento com Popper e Russel e sobre a filosofia acadêmica. É a oportunidade de ver a filosofia fora da perspectivista acadêmica. Se você tem interesse em filosofia não deixe de conferir.


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One Response to Livros

  1. Sérgio says:

    Como faço para comprar o Livro “Sobre a fundamentação”

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