Eu & Eu mesmo

Estando eu numa sala isolada a pensar sobre um trabalho escolar, eis que um estranho surge. Distraído nem o vi entrar. Ia perguntar o que foi, dizendo um oi, mas súbito, parei. Atônito. O estranho, que me olhava, era eu. Eu mesmo. Ao ver meu olhar assustado, este esboçou um sorriso cínico.

Eu mesmo: __ Quem é você? _ disse eu espantado me levantando.

Eu: __ Acalme-se! Onde está sua impassibilidade Xenócrates?

Eu mesmo: __ O que? Quem… Quem é você?

Eu: __ Ao fazer esta pergunta na verdade está perguntando quem é você mesmo.

Eu mesmo: Eu o olhava fixamente, tentando achar uma falha para acabar com a farsa deste impostor, mas este era idêntico a mim em todos os detalhes. Apenas sua voz me soou estranha. __ Ora pare logo com essa brincadeira _ disse eu, irritado.

Eu: __ Não há brincadeira alguma. Não vê que eu sou você e que juntos somos um só.

Eu mesmo: __ Então prove!

Eu: __ É sempre assim, não consegue confiar na sua intuição.

Eu mesmo: __ Se é quem diz ser, o que faz separado de mim e como isso é possível?

Eu: __ Vim para ajudá-lo com o trabalho. Isto é possível porque talvez exista um gênio maligno que empenhe toda a sua indústria em enganar-te e tudo o que você pensa conhecer sobre o mundo não passa de ilusão.

Eu mesmo: __ Eu odeio os céticos _ disse tornando a me sentar.

Eu: __ Mas se você gosta ou não de algo nada tem a ver com a verdade desse algo não é? Não é isso que sempre me diz?

Eu mesmo: __ É claro, o fato de eu gostar que x fosse verdadeiro não implica que x o seja. De fato, há muita coisa que eu gostaria que fosse verdadeiro, mas que não é.

Eu: __ Como, por exemplo, que apenas o método científico pudesse fornecer conhecimento teórico seguro?

Eu mesmo: __ Além de gostar dessa idéia, vejo muitas razões para crer que ela é verdadeira.

Eu: __ Mas está errado, há outras formas de se obter conhecimento seguro além do método científico.

Eu mesmo: __ Este é justamente um dos tópicos do meu trabalho.

Eu: __ Eu sei, e por isso estou aqui. Agora chega de enrolar e formule logo o problema.

Eu mesmo: __ Existe outro modo de conhecimento teórico seguro além do método científico?

Eu: __ Para responder essa pergunta precisamos mostrar a diferença entre a filosofia e as outras ciências. Toda ciência estuda seu próprio objeto de estudo de um determinado ponto de vista, ou seja, dirige-se a um determinado aspecto de um todo. Assim, uma mesma realidade, o homem, por exemplo, é estudada por diferentes ciências sob diferentes aspectos. A medicina estuda um aspecto, a saúde; a psicologia outro, o comportamento e a sociologia outro ainda, o fenômeno social. Já a filosofia, desde Sócrates, é guiada pela pergunta: O que é isso enquanto tal? O filósofo não se limita a um ponto de vista, ele pergunta pelo todo. As antropologias científicas estudam apenas aspectos parciais do homem, já a antropologia filosófica quer saber o que é o homem enquanto tal. Filosofia é a busca de verdades mais gerais, de um conhecimento do todo.

Quanto ao método, em primeiro lugar, devo lembrá-lo que o objeto de estudo de uma ciência e o seu ponto de vista condicionam fortemente seu método e na filosofia, justamente por perguntarmos pelo todo, não podemos ter muita precisão. Palavra, que em sua origem etimológica, significa corte ou parte de um todo. Em segundo lugar, outra diferença entre a filosofia e as outras ciências é que a ciência sempre parte de pressupostos, os axiomas, que são dados como intuitivos, mas a antropologia filosófica, por ser metafísica, não pode ter pressupostos. Resolvemos esse problema através da epoché, no sentido que lhe deu Husserl. De fato, quanto ao método da antropologia, houve e há muitas discussões a seu respeito e como diz Rabuske, este é o seu problema central. Vários métodos foram usados, entre eles: o método fenomenológico, hermenêutico, dialético, da introspecção, da compreensão, fenomenológico-trancendental, da reflexão transcendental entre outros. Um modo de proceder em antropologia é este: “Nós, tomando como ponto de partida os dados reais e os pensamentos concretos, devemos tornar explícitos aquilo em que esses pensamentos e esses dados implicam, aquilo que eles supõem, no sentido etimológico da palavra, aquilo que os torna possíveis e sólidos… Implicar não significa inventar, deduzir; antes, significa descobrir aquilo que é já presente, mas não observado, não explicitamente conhecido e formulado”. (B. Mondin, O homem, quem é ele? Pág. 17). Quanto à sua legitimidade não nos resta dúvida de que a ciência não pode responder a questão, pois ela estuda apenas aspectos parciais do homem e uma síntese delas também não resolverá a questão. Somente a filosofia pode dar uma resposta completa para a pergunta: o que é o homem enquanto tal? Esta é, apesar de resumida, uma resposta adequada para a sua pergunta.

Eu mesmo: __ Farei algumas objeções. A visão de que a filosofia é uma ciência como as outras só que busca verdades mais gerais não se sustenta mais a meu ver. Quando comparamos os resultados das ciências com a filosofia especulativa vemos claramente que na ciência houve um progresso, enquanto que na filosofia especulativa dificilmente podemos ver algo semelhante. Por isso muitos abandonaram tal metodologia e passaram a trabalhar com o método científico em filosofia. Por exemplo, Russel em seu Our knowledge of the external world. Mas não estou falando apenas da filosofia analítica, que propôs a eliminação dos problemas metafísicos, julgando-os serem destituídos de sentido com base no princípio da verificabilidade, que acabou entrando em colapso. Falo da filosofia científica, tal como proposta por Russel e que é adotada por muitos filósofos, principalmente os filósofos da ciência, da mente, da matemática, da física, da física quantica, da biologia e por epistemólogos e lógicos. Todos estam convictos de que a tentativa de conhecer o todo é uma utopia. Que o objetivo da filosofia é esclarecer conceitos e proposições e analisar os fundamentos das ciências, para que possam torná-la mais precisa e segura. Por exemplo, quando Einstein definiu o conceito de simultaneidade para usá-lo na física ou quando os matemáticos começaram a estudar os fundamentos da matemática e precisaram rever seus axiomas e definir conceitos como número, conjunto e infinito. Livros como o Grundgesetze der Arithmetik de Frege ou o Principia Mathematica e o The Principles of Mathematics de Russel, mostram claramente esse modo de proceder. As ciências, seja as ciências empíricas ou formais, trabalham com métodos, teorias de verdade, conceitos e teorias de justificação que pertencem à filosofia. Investigar os fundamentos das ciências é trabalho da filosofia. Cabe lembrar que isso não é novo, Leibniz já dizia que os filósofos precisam ser cientistas, tanto quanto esses de serem filósofos. Me parece que por baixo de nossa discussão está essa briga entre a filosofia analítica e a escola irracionalista. Uns querem ser cientistas e trabalharem com métodos científicos e outros querem ser humanistas e salvaguardar a irredutibilidade da pessoa humana.

Eu: __ Filosofia e ciência não são a mesma coisa. A filosofia tem um campo de estudo próprio. Os analíticos se afastam da própria filosofia. Certa vez, Marcel disse que Russel nem era filósofo, mas sim matemático.

Eu mesmo: __ E Russel, ao saber disso, disse que Marcel não era filósofo e sim um literato. Pessoalmente acho que a escola irracionalista se esquece de que o filósofo assumiu compromissos com a verdade e não com a pessoa humana. Seria desejável que incompreensões como essa fossem superadas de uma vez por todas. Mas voltemos ao que realmente interessa.

Eu: __ Há progresso na filosofia, ouso a dizer que em alguns pontos ela está na frente da ciência. Basta se lembrar da evolução do conceito de ser, da revolução da análise lingüística e pragmática, da superação do dogmatismo, da evolução da lógica e o surgimento da filosofia da matemática. Quem diz não haver progresso desconhece filosofia a meu ver ou crê que há especulação apenas na filosofia e não na ciência, o que está longe de ser verdadeiro. A visão de que a filosofia e o conhecimento humano em geral estão rumando para um conjunto de verdades eternas não se sustenta mais. Uma filosofia assim torna-se distante da realidade e nada prática também. A filosofia, assim como as ciências, é uma atividade de resolução de problemas.

Eu mesmo: __ Concordo, vivemos um período cético e estabelecer a verdade como critério de êxito não me parece sensato, pois a verdade está ligada ao momento histórico. Cada época tem seus próprios pressuposto. Toda teoria que fizermos no futuro será confrontada com novos fatos e novas descobertas e muito provavelmente terá que ser reformulada ou mesmo refutada. A busca pela verdade deve se dar de forma indireta a meu ver.

Eu: __ Continuando: estes que tu citaste e outros argumentam que as antropologias empíricas e sociais são suficientes para conhecer o homem ou que caberia a antropologia filosófica apenas uma síntese. Primeiro, há um problema e claramente ele não pode ser respondido através de uma síntese, pois buscamos o homem enquanto tal e segundo, mesmo que o problema seja insolúvel se faz necessário tentar respondê-lo para, pelo menos, aumentarmos nossa compreensão sobre ele. Devo lembrá-lo,  progresso não se dá apenas de forma cumulativa.

Eu mesmo: __ Sim, pelo que li mostrar que o método científico não é suficiente para compreender o homem é, de certo modo, uma das tarefas da antropologia filosófica. E quanto ao segundo ponto concordo contigo, não sei se devemos nos calarmos sobre aquilo de que não podemos falar, mas para isso a antropologia deve ter um método adequado e promissor.

Eu: __ Quer que eu mostre que há outras formas de conhecimento seguro além do método científico?

Eu mesmo: __ Sim, isso será necessário para que possamos avançar.

Eu: __ Bem, façamos uma distinção entre explicar e compreender…

Eu mesmo: __ Espere, primeiro devemos esclarecer o que entendemos por conhecimento!

Eu: __ Tens razão.

Eu mesmo: __ Creio que a melhor definição é a de Platão, a saber, conhecimento é crença verdadeira justificada. Em símbolos: X conhece a proposição p se e somente se X crê em p, p é verdadeira e a crença em p é justificada.

Eu: __ Mas e quanto às objeções de Edmund Gettier?

Eu mesmo: __ Ah sim, convém analisá-la.

Eu: __ Cito-a de memória e talvez não esteja sendo totalmente fiel, mas creio que transmito a idéia central. Suponhamos que um sujeito A veja, de longe, um carro Gol em um estacionamento, e então formule a proposição: No estacionamento há um Gol. Aqui temos um caso de conhecimento, pois sua crença é verdadeira e ele tem justificação para crer nela. Porém suponhamos que o carro que A viu não era um gol, mas sim um Palio, mas que, fora da visão de A, exista efetivamente um Gol no estacionamento. Assim, as condições da definição de conhecimento são satisfeitas, embora pareça que não se possa falar de conhecimento aqui.

Eu mesmo: __ Respondo citando Newton da Costa, que diz: “O método científico é acima de tudo atividade racional e crítica, portanto, em casos em que a justificação não se mostrar apropriada à crença correspondente, ela será superada, substituída por outras mais de acordo com aquilo que implícita ou explicitamente se espera. Assim essa falha na definição é ultrapassada pelo progresso da ciência” (Newton C. A. da Costa, O Conhecimento Científico. Pág. 28). Acrescento que, a objeção de Gettier não é tão forte a ponto de refutar a definição, pois ela supõe uma situação que dificilmente se dará numa teoria.

Eu: __ Devo concordar, porque uma análise precisa do sujeito A citado faria com que descobrisse que o que viu era um Palio e não um Gol. Em uma teoria jamais podemos fazer afirmações com base em observações superficiais.

Eu mesmo: __ Devo acrescentar que o conhecimento não deve ser dividido porque isso cria muitos problemas. Devemos considerar como válido todo método capaz de produzir conhecimento, ou seja, crenças verdadeiras justificadas. A discussão deve ser sobre métodos.

Eu: __ Estou de acordo.

Eu mesmo: __ Mostre-me agora que há outras formas de se obter conhecimento, além do método científico.

Eu: __ Façamos uma distinção entre explicar e compreender. Explicar é o método usado pela ciência empírica para conhecer os fenômenos físicos. Buscar as causas, separar, medir e analisar a relação entre os fenômenos, reduzindo-os, geralmente, a uma estrutura matemática. A física, a química e a biologia, por exemplo, procedem dessa forma. Note que nessas ciências há um caráter pragmático, o cientista quer controlar, intervir e prever os fenômenos, não apenas compreender. Um historiador ou um artista não trabalha assim, porque ninguém pode explicar a história ou a arte de forma completa e reduzi-la á estruturas lógico-matemáticas. Para conhecer a história, o historiador busca compreendê-la, familiarizando-se com ela, mas sabendo que ela é irredutível aos seus conceitos. De forma análoga a antropologia filosófica deve proceder, ela não quer explicar, mas sim compreender. A antropologia é uma ciência hermenêutica , ou seja, se vale da interpretação e da argumentação.

Eu mesmo: __ Explique melhor isso.

Eu: __ Compreender é mais profundo que explicar. Uma explicação é limitada por aquilo que podemos quantificar. Consiste em fazer a coisa curvar-se perante a razão, mas nesse processo a coisa não revela sua essência, é preciso deixar que ela se mostre por si mesma, familiarizando-se aos poucos com ela, respeitando sua alteridade. Um exemplo, a famosa tese de Agostinho sobre o tempo: “O que é o tempo? Se não me perguntam o que é o tempo, eu sei. Se me perguntam o que é, então não sei”, ele diz compreender o que é o tempo, mas não sabe explicar. Porém o compreender nunca é completo e nem quer ser, é antes um diálogo eterno com a coisa. Onde cada um com o seu modo particular de ver contribui para aumentar nossa compreensão sobre a coisa.

Quando você diz que há coisas que não podem ser conhecidas, creio que na verdade está falando que elas não podem ser explicadas. Assim, o mais próximo dessas coisas mesmas que podemos chegar e tentando compreendê-las e para isso o único método possível é o especulativo ao que me parece.

Eu mesmo: __ De fato, isso é bem intuitivo. Há muitas coisas que eu julgo conhecer, mas que não consigo explicar, formalizar ou não consigo dar uma explicação satisfatória para elas.

Eu: __ A própria linguagem que usamos não é radicalmente objetiva e dificulta o processo de explicar e formalizar. Porque ela não denota coisas, mas sim pensamentos sobre coisas, já que cada um tem seu modo particular de captar o mundo e de recriá-lo em sua mente através dos conceitos. Por isso nossas definições de conceitos são diferentes e vivemos numa pluralidade de perspectivas e num pluralismo teórico, mesmo nas ciências ditas exatas. Nossa época se caracteriza justamente pela falta de absolutos nos quais nos agarrarmos.

Eu mesmo: Mas não devemos ser tão radicais nesse ponto como os céticos, que afirmam:

x aparece A para Y

x aparece B para Z

x é A ou B não os dois ou mesmo nenhum deles

Não temos mecanismos para descobrir o que x realmente é

Logo, devemos suspender o juízo.

Alguma coisa nossos conceitos tem em comum já que temos um discurso sobre eles e podemos nos compreender.

Eu: Tens razão. Espero ter deixado claro que a explicação não é suficiente, apesar de ser importante, porque, muitas vezes, ela será nossa base comum, mas de uma forma ou de outra, nem ela nem a compreensão irá esgotar a coisa. Assim, a antropologia deve buscar compreender o homem, pois somente dessa maneira chegará o mais próximo possível da resposta para a pergunta: Que é o homem enquanto tal?

Eu mesmo: __ Devo concordar que o método especulativo tem seus méritos e que através da especulação vamos a um nível tão profundo da coisa que passamos a respeitá-la por sua aparente irredutibilidade, mas grande parte do trabalho do filósofo é justamente esclarecer conceitos e dar um significado preciso e se possível formal a eles, principalmente em metafísica. Como a semântica dos mundos possíveis ou a das proposições contra-factuais, que foram criadas justamente para isso.

Parece-me que a grande dificuldade da antropologia filosófica está em dar uma justificação segura para suas crenças, que é o problema de toda a filosofia especulativa. Repito, só formalizando e esclarecendo precisamente nossos conceitos e proposições teremos conhecimento seguro.

Eu: __ Concordo, mas não podemos pesar, medir ou cortar os conceitos filosóficos para ter precisão e ao que parece, por mais que tentemos, eles jamais terão uma definição universalmente aceita. Mas apenas uma parte da realidade pode ser quantificada, quanto ao resto, podemos apenas especular e mesmo nas ciências há especulação.

Eu mesmo: __ Devemos fazer como Galileu, “medir o mensurável e tornar mensurável aquilo em que a principio não o é”. Ou seja, precisamos criar métodos para dar precisão a esses conceitos e devemos ser críticos. Reconhecer nossos limites é ser críticos também.

Eu: __ Nem tudo pode ser formalizado. Apenas algumas coisas que conhecemos são formalizadas, mas outras nem sequer são conscientes. Na verdade sabemos muito mais do que sabemos ou do que podemos falar ou formalizar. Há coisas que sabemos que sabemos ou que temos uma intuição muito grande de que sabemos, mas que não conseguimos formalizar. Tudo indica que nosso conhecimento mesmo não pode ser formalizado, pois está além da consciência. Além disso, o conhecimento formalizado é superficial de certa forma porque ele não nos atinge de forma intensa. Exemplos: Sabemos que monstros não existem, que são ficção, mas quando vemos um filme de terror sentimos medo. Conhecemos a teoria heliocêntrica de Copérnico, mas mesmo assim, continuamos a dizer que o sol nasce e que se põe, como se o sol se movesse. Alguém com aracnofobia, diante de uma pequena aranha, que ele sabe não conter veneno e que é totalmente inofensiva, ainda assim tem medo. Se esse conhecimento formalizado nos atingisse isso não aconteceria. Por isso, torno a afirmar que a compreensão é mais profunda que a explicação e que a antropologia procura aumentar nossa compreensão sobre o homem, não explicá-lo.

Eu mesmo: __ Talvez isso aconteça com os pseudo-filósofos ou com o homem vulgar, mas dificilmente um grande filósofo não é atingido por suas idéias. Descartes, por exemplo, estava convencido de que tinha achado a verdade última ou mesmo Kant, que chegou a dizer que: “daqui em diante, a filosofia pode seguir tão segura quanto à própria ciência”. Ou Sócrates que morreu defendendo suas idéias. Ou ainda os filósofos moralistas, como Sêneca, Epicuro e Epicteto que levaram uma vida exatamente conforme pregaram. Todos os grandes filósofos estavam convictos que depois de seus sistemas viriam uma nova era, pois haviam atingido a verdade última das coisas ou um modo seguro de investigar o mundo. Mas mesmo assim, mostre-me que isso não acontece com a compreensão?

Eu: __ A antropologia filosófica, em certo sentido, não é apenas uma disciplina teórica, mas um modo de encarar o homem e de viver, e vivenciar essas crenças, faz com que elas nos atinjam. A antropologia filosófica é de certa forma uma ideologia e uma ideologia só têm sentido se nos atingir. A antropologia também é vinculada à ética e os filósofos moralistas estão entre aqueles que melhor adaptaram teoria e prática, como você mesmo disse.

Eu mesmo: __ Como extraímos uma conclusão de tudo isso que dissemos? Será que ao menos cumprimos nosso objetivo?

Eu: __ Esclarecemos alguns pontos e lançamos várias idéias. Aumentamos nossa compreensão sobre o problema.

Eu mesmo: __ Não está cumprindo sua parte no trato. Abri mão do meu tratado sistemático, para um diálogo bem argumentativo. E agora terminamos assim, em uma aporia?

Eu: __ Sempre acusa minhas decisões de impulsivas. Faça como quiser. Adeus.

Eu mesmo: __ Espere! Só mais uma coisa. Muitas vezes tenho um sonho estranho. Nele eu estou numa biblioteca. Sobre uma escada. Quero pegar algo que parece estar para além dos livros e das estantes. E eis que quando estou quase lá, sinto alguém me puxando para baixo. Quando olho. Vejo-me olhando para mim mesmo. E esse outro eu parece indicar algo. Lá embaixo. O que significa isso?

Eu: __ Se você não sabe então eu também não sei. Onde esta sua lógica?

Eu mesmo: __Distrai-me um momento pensando em que responder. Foi então que acordei. Estava debruçado sobre uma carteira em uma sala isolada. Fiquei pensando por uns instantes e então comecei a escrever.

Bibliografia:

BATTISTA MONDIN: O Homem, Quem é Ele? Elementos de Antropologia Filosófica. Ed. Paulus

RABUSKE, EDVINO A.: Antropologia Filosófica. Ed. Vozes

NEWTON C. A. DA COSTA: O Conhecimento Científico. Ed. Discurso Editorial.

EDMUND GETTIER: É a crença verdadeira justificada conhecimento? www.criticanarede.com/epi_gettier.html

Escrito por Rodrigo de Oliveira

4 Responses to Eu & Eu mesmo

  1. Pedro says:

    Tem demasiado texto. Ao mesmo tempo que nos apetece ler, perdemos, passado algum tempo, a vontade de continuar a ler, pois torna-se um pouco “lamechas” e faz com que as pessoas não o leiam até ao fim. Deve apenas melhorar a quantidade de texto, reduzindo a um exemplo muito claro e a uma justificação também muito clara. Mas gostei muito da ideia, sinceramente gostei muito da ideia do diálogo e de a pessoa com quem estamos a falar, sermos nós mesmos! Não me interprete mal por dizer as coisas desta maneira -“

  2. Pedro says:

    Ah, mas não sou apenas crítico no mau sentido… Tudo o que escreveu ajudou-me muito, parabéns e volto a referir: Adorei esta ideia!

  3. Rodrigo says:

    Bem vindo ao blog Pedro. Este texto foi criado como um trabalho para a disciplina de antropologia filosófica e eu realmente precisava desenvolver os temas… Também gosto bastante dessa ideia, no futuro pretendo voltar a ela e …produzir um diálogo ainda maior e certamente mais elaborado. Fique tranquilo, não levarei a mal. Um abraço.

  4. luizangela says:

    queria um texto com o tema eu e a filosofia

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