Mate-me!

Mate-me!

Ele a esperava no meio do caminho. A vadia ia embora sem lhe pagar. Isso não ficaria assim. Ajeitou a faca na cintura. Trouxe-a mais para intimidá-la que por qualquer outro motivo. Quando se está nesse ramo é preciso parecer perigoso. Ela iria pagá-lo de qualquer jeito. Era uma menina, seria fácil amedrontá-la. A noite escura ajudaria, porém estava inquieto. Andava de um lado para o outro. E se fugisse ao vê-lo? Se não viesse? Por que está demorando tanto… Se ao menos tivesse trazido um cigarro. Limpou o suor que lhe escorria pelo rosto com a manga da camiseta. Fazia frio, mas ele suava. Não sabia bem o motivo, mas estava nervoso e ansioso…

Enfim, um vulto surgiu, vindo em sua direção. Ficou agitado, tentando reconhecê-lo apesar da distância. Quem seria? Tornou a enxugar o suor e respirou fundo. A raiva começava a dominá-lo. A vadia ia embora sem lhe pagar, seus amigos iriam rir dele. Como pode deixar-se seduzir pela garota? Ela iria pagá-lo de qualquer jeito.

Era ela. Seria fácil amedrontá-la, pensou. Ao vê-lo ela diminuiu o passo. __ Ah é você _ disse Cíntia se aproximando. __ Fiquei  assustada. Fingiu um sorriso ao vê-lo, sabia muito bem porque ele estava ali.

__ É… _ começou Marcos. Parou pensando em que dizer. Pensou em cumprimentá-la. Fitou o chão por um instante e não se conteve.  __ E meu dinheiro? Não está pensando em ir embora sem me pagar né?

__ É… Eu… _ Cíntia não sabia o que responder. A verdade era que pensava sim. __ Eu vou pagar _ disse afinal.

__ Claro que vai. Quero minha grana agora _ disse Marcos com um olhar agressivo.

__ Eu… Eu não tenho o dinheiro agora. Eu vou pra casa, mas mando  alguém te entregar ou mando pra você mesmo. Eu juro que vou mandar _ disse Cíntia como que confessando. Estava longe de casa, sozinha com aquele homem, sentia medo. Em casa daria um jeito de arrumar, pensou.

__ O que? Vai me pagar agora! _ disse Marcos avançando em Cíntia e agarrando-lhe pelos ombros com um olhar agressivo.

__ Eu não tenho o dinheiro _ disse Cíntia. __ Não tenho mesmo _ acrescentou.

__ Se vira. Eu te vendi, você usou e agora vai me pagar. Anda! _ disse Marcos quase gritando e apertando os ombros de Cíntia.

__ Não tem jeito de te pagar de outro jeito? _ perguntou Cíntia. O traficante estava nervoso, quiçá amado e ela estava sozinha numa rua meio isolada…

__ Pagar de que jeito? _ perguntou Marcos parecendo interessado.

__ Não sei _ disse Cíntia parecendo pensar em algo, mas a idéia já lhe estava na cabeça. __ E se… _ começou Cíntia, nem acreditando no que ia dizer __ E se o que? _ Perguntou Marcos, curioso. Cíntia parecei ficar um pouco acanhada. __ E se eu for pra cama com você, você topa? _ perguntou. Marcos ouviu incrédulo.

__ O que? Ir pra cama comigo? _ perguntou.

__ É _ respondeu Cíntia. Marcos olhava para ela, que evitava o olhar. Parecia um pouco acanhada, mas não era nenhuma tímida. Desceu o olhar pelo corpo da garota, olhando-a sob a nova possibilidade. Tinha a pele clara, um rosto de menina, longos cabelos lisos e negros, corpo bonito, um pouco magra, mas seios e nádegas fartas. Marcos abriu um sorriso. Já havia imaginado este desfecho e até pensou em propor, mas achava que a garota nunca aceitaria e, no entanto, ela mesma propôs. Iria ensiná-la a não mexer com ele, ia acabar com ela na cama, pensou. __ Está bem, mas onde? _ perguntou ele.

__ Não sei, não moro aqui e não tenho lugar. Vamos pra um beco ou algum lugar escuro, depois você me deixa na república _ falou Cíntia.

__ Beleza. Então vamos _ disse Marcos meio surpreso com a atitude dela.

Os dois saíram pelas ruas. Ele rindo, feliz. Já pensava em que seus amigos diriam ao saberem. “A vadia não quis me pagar, levei ela pra cama e acabei com ela.” Ela, um tanto nervosa, lamentando tê-lo encontrado, mas feliz por dar um fim nisso.

Um cemitério. O local perfeito segundo Marcos e para lá rumaram. Estavam próximo a um, o cemitério da Igreja das Mercês. Cíntia não gostou muito da idéia, mas não tinha muita escolha e queria voltar pra casa o mais rápido possível. Na porta do cemitério, ao ver as primeiras tumbas, voltou a perguntar se não havia outro lugar. Aquilo lhe dava arrepios. Marcos ia responder, mas interrompeu a fala; ouviu vozes. Um grupo de pessoas se aproximava. Estudantes vindo da “Festa dos Doze”, espécie de carnaval fora de época feito pelos estudantes das mais de 200 repúblicas de Ouro Preto, de onde Cíntia também vinha, quando o encontrou… Esperaram que passassem, alguns fizeram piadas sobre os dois, mas não lhe deram ouvidos.

__ Não tem outro lugar mesmo? _ perguntou Cíntia, assim que se foram.

__ Não! Aqui é perfeito, ninguém vai nos incomodar. Vamos! _ respondeu Marcos puxando-a pelo braço, apressado. Marcos nunca tinha sido muito religioso e pouco ligava pra isso. Cíntia, sem escolha, entrou e juntos foram andando por entre as covas.

Marcos viera excitado o caminho todo, vez ou outra passava a mão pelo corpo da garota, que o reprimia. Cíntia não era nenhuma inocente e decidiu mostrar força, resistindo e deixando-o fazer apenas o que ela permitia, mas não sabia se ia suportar muito. Estava sozinha no escuro com um estranho, com um traficante. Aos poucos Marcos se impunha sobre ela.

Marcos arrombou um jazigo que dava a uma tumba mais larga. __ Aqui _ disse Marcos puxando-a para dentro. __ Vai tira a roupa _ acrescentou. Cíntia, um pouco tremula, começou a se despir. Tirou a blusa e em seguida a camiseta e a calça. Dobrou as ultimas e as colocou sobre a blusa, num canto da tumba. Marcos olhava a garota, fascinado. Já havia baixado as calças e aguardava-a com o membro na mão, nem acreditando no que se passava. Cíntia deitou-se, posicionando-se, mas Marcos interveio:

__ Que isso? Vem fazer o serviço direito _ disse.

__ Não vou fazer _ retrucou Cíntia. A idéia de deitar-se com ele já lhe era insuportável, não faria aquilo.

__ Vai fazer sim. A grana que me deve dava para pagar uma puta muito mais gostosa minha filha.

__ Não vou fazer _ repetiu Cíntia.

__ Escuta aqui sua vadia _ disse Marcos tirando a faca da cintura. Você me deve! Vai fazer o que eu mandar. Está me ouvindo? Cíntia permaneceu calada, não conseguiu reagir. Estava nas mãos dele, ele estava armado. A visão da faca lhe tirou todas as forças. __ Está me ouvindo? _ tornou a perguntar Marcos. Ela ajoelhou-se em frente a ele. Pegou-lhe o membro. Acariciou-lhe por uns instantes com nojo. __ Vai _ disse ele. Cíntia fez. Tudo lhe enojava – o lugar, o cheiro, o gosto – não sabia se iria suportar aquilo por muito tempo. Os pensamentos lhe torturavam ainda mais. Continha o choro. Marcos sorria, não via a hora de arrombar a garota. Iria ensiná-la a não se meter com ele. Cíntia deitou-se enquanto ele posicionava. Acariciou-lhe a genitária por um instante e penetrou-lhe, mas logo viu que a posição era muito desagradável. __ Assim não dá. Esse negócio é baixo demais. Fica de quatro _ falou. Cíntia, temendo que ele pegasse a faca novamente, obedeceu. Em certo sentido era até melhor, pensou; a idéia de ficar olhando para Marcos e vendo-o sentir prazer lhe torturava. __ Ai, agora sim _ disse Marcos dando-lhe um tapa nas nádegas. Introduziu. Dessa vez faria o que tanto desejava, a posição lhe era confortável. Segurou-a pelos quadris para poder usar mais força.

__ Devagar, está me machucando _ disse Cíntia, mas Marcos não ouviu ou fingiu que não ouviu. Os gemidos dele lhe enojava. Aquele monstro estava abusando dela e tudo por causa da maldita droga que usou. A idéia de que era uma prostituta não lhe saia da cabeça. A principio pensou em fazer direito, para satisfazê-lo rápido, mas aquilo era demais para ela, não conseguia. Estava ali, num cemitério sendo humilhada. Pensou em sua mãe; uma lágrima de dor lhe correu pelo rosto. Não dor física, mas de angustia, de humilhação, mas prometeu a si mesma que não ia chorar. Assim como prometeu nunca mais usar drogas…

__ Devagar, está me machucando _ dizia em vão, de quando em quando. Os gemidos lhe escapavam sem querer. Alem de dor só sentia nojo. Marcos, todo suado, mantinha a marcha. Parava vez ou outra para enxugar o suor que lhe corria pelo rosto. Estava excitado e feliz em maltratá-la. A seu ver, não fazia nada demais, afinal, foi ela quem propôs e não era nenhuma santa; não estaria ali se fosse. Não que isso o preocupasse, além disso, a vadia gemia, estava excitada, pensou. Mulher não vale nada mesmo _ disse para si mesmo.

Minutos depois ele parou, pegou o membro e começou a introduzi-lo onde realmente queria. Iria acabar com essa vadia. Desde o início o que pensava era em relação anal. Cíntia, ao sentir, tapou a área com a mão. __ Não! Ai não! Já chega _ disse quase gritando e começando a se levantar. __ Fala baixo sua desgraçada! Vou fazer sim _ disse Marcos tirando-lhe a mão. Não! Não! _ tornou a gritar Cíntia. Toda sua coragem já se fora, restava agora uma garotinha indefesa. Tapava a área com a mão e chorava. Olhou para o monstro que procurava a faca e não agüentou:

__ Socorro! _ gritou, tentando se levantar. Marcos avançou sobre ela para lhe tapar a boca, explodindo de raiva. Debruçou-se sobre ela, que ainda estava de quatro, impedindo-a de se levantar. Ela mordeu-lhe a mão e tornou a gritar __ Socorro! Alguém me ajude! Socorro! Marcos não sabia o que fazer. Iria chegar alguém, ela ia dizer que estava sendo estuprada e ele seria preso. Seria preso de novo. Iriam abusar dele na cadeia. Além de não pagá-lo ela o mandaria pra cadeia. Sentia raiva, mas sobretudo medo. Pensou em correr. __ Socorro! Socorro! Gritava ela. Precisava fazê-la calar…

Que podia fazer ele? Ao começar a gritar era como se ela disse-se: Mate-me. E ele a matou. A consciência não foi rápida o suficiente para acompanhar os movimentos. Num instante sacou a faca da calça no chão e desferiu um golpe violento em Cíntia, ainda acocorada sobre a tumba. Cíntia berrou de dor ao sentir a faca penetrando-lhe as costas. Marcos, ao dar se conta do que fez, chegou a afastar um pouco. Marcos olhava Cíntia, que tentava se levantar, com uma mão tapando o ferimento que jorrava sangue. Continuava a gritar…

Desesperado e confuso, não via outra saída, desferiu outro golpe, e outro, e mais outro… Cíntia gritava, mas logo a voz foi ficando fraca, as vistas embaçadas e as forças lhe abandonavam rapidamente. Respirava com dificuldade e cada vez que o fazia mais sangue perdia. Os ferimentos eram profundos e o corpo nu da garota, já estava coberto de sangue. A ultima coisa que sentiu foi uma sede insuportável…

Marcos, querendo correr, continuava a ali. Olhou a própria mão coberta de sangue. Mal conseguia respirar e arquejava violentamente. Queria correr, mas algo o prendia. O coração estava disparado e o cérebro latejava. Aos poucos foi tomando consciência. Havia matado, era um assassino pensou. Não se pode exigir muito de um homem excitado, com raiva e medo, sobretudo medo. Olhava para Cíntia, imóvel sobre o túmulo. Por um instante achou engraçado o fato dela morrer num cemitério. Já estava sepultada, pensou.

Aproximou-se, contemplando a já macabra cena. O cheiro de sangue tomava conta do lugar. Morta. Morta pensou. E se não estivesse morta? Se o entregasse a polícia quando se recobrasse? Pensou tornando a se desesperar. Não ia ser preso, não ia…

__ Morre! Morre! _ gritava Marcos desferindo novos golpes contra Cíntia. Súbito afastou-se, fatigado. O corpo coberto de sangue. Limpou o suor que lhe escorria pelo rosto. Olhou para os lados, vendo se alguém o observava. Não ia ser preso. Por alguns instantes ficou ali, parado contemplando a cena, como que esperando que ela se movesse para que pudesse atacá-la novamente, mas nada aconteceu. Virou-se para ir embora, mas súbito, parou; olhou novamente para o corpo. Não seria descoberto. Correu…

Escrito por Rodrigo Oliveira

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