Quem Eu Admiro

Terminar

J. R. R. Tolkien (1892 – 1973)

Sul Africano – Inglês

O que li dele: O Senhor dos Anéis; O Hobbit e O Silmarillion. O livro Tolkien: A Biografia de Michel Write.

Tolkien não só criou o gênero fantasia como foi o maior expoente do gênero até hoje. Nenhum cenário chega perto da densidade que a Terra-Média tem. Tolkien mostrou o quão longe a ficção pode ir. Digo sem medo que ninguém foi além dele ainda, em termos de criação de mundos fictícios. A trilogia que compoe O Senhor dos Anéis é mais dedicada a história, mas ler os livros e apêndices que completam a história de Arda, suas línguas, seus mitos, suas canções e etc é como estudar antropologia cultural. O pragmático cético e sem paciência vai dizer: Nada disso existe mané! Eu digo: Exatamente por isso é importante. É uma tentativa de construir uma mitologia para as línguas inventadas por ele, professor de filologia em Oxford. É curioso como só em 1954 isso foi feito de modo aprofundado como ele o fez. Inventar uma mitologia, uma cultura exige muito conhecimento e se aprende muito no processo. Como sabe qualquer um que já tentou algo semelhante. Tolkien me dá esperanças, pois mostra o quão longe o espírito humano pode ir. Além disso suas histórias são permeadas por um tom épico, um clima etéreo que gosto muito. Para mim um pensador é alguém que cria, que constrói, nesse sentido Tolkien foi um grande arquiteto. É um homem de grande originalidade e muita versatilidade. Sei muito bem o que muitos vão achar dessa declaração de admiração ao autor de O Senhor dos Anéis. Uma infantilidade ou um resquício do tempo em que jogava RPG, mas não dou a mínima para isso. É com olhos de filósofo que o vejo e a beleza que se encontra em sua obra é algo raro. Seu mito de criação em nada deixa a desejar se comparado ao mito cristão. E sem dúvida é mais belo. O Mundo é a música dos Ainur.

Eric Berne (1910 – 1970)

Canadense

O que li dele: Análise Transacional em Psicoterapia; O Que Você Diz Depois de Dizer Olá e Os Papéis Que Jogamos na Vida de seu discípulo Claude Steiner. Folheio Os Jogos da Vida sem compromisso as vezes.

O que encontrei até hoje mais próximo do que procuro? A análise Transacional de Eric Berne. Acho tudo o que ele escreve de uma ingenuidade tremenda, mas de um potencial enorme. Ele fala de estados do ego – Pai, Adulto, Criança, obviamente derivados do Ego, Superego e Id de Freud, que por sua vez segundo li parece ter sido tirado das três almas de Platão. Ele fala em papéis, jogos, passatempos, scripts… e usa esquemas para mapear as relações humanas, coisas que desde os 16 pelo menos anos eu venho buscando. Não conheço muito de sua vida, mas conheço e gosto bastante de sua teoria. Se Jacob Moreno é o que mais me atrai em termos práticos, Eric Berne é o que me mais atrai teoricamente. Não que eu concorde com ele ou seja um seguidor, mas sim por achar que ele percebeu os problemas que percebo e deu uma resposta a eles. Mapear as relações humanas em termos de transações foi uma grande sacada. Os jogos descritos por ele é o mais genial de sua teoria. É pena que tenha sido psicanalista, a psicanalise perverte tudo. Se não se enveredasse pela teoria dos roteiros, poderia ter construído o jogo que procuro. A diferença fundamental é que ao contrário dele eu não busco uma técnica de psicoterapia e ele reduziu sua teoria a esse âmbito. Os que tentaram expandir sua teoria não foram além dele. Quem lê seus livros não deveria agir mais da mesma maneira, seus conceitos são simples e poderosos. Ele tem muito a ensinar sobre o comportamento humano. É… Quase chegou lá Dr. Berne. Quase.

Jacob Moreno (1889 – 1974)

Romeno – Austríaco – Americano

O que li dele: Psicodrama; O Essencial de Moreno; Fundamentos de la Sociometria e a biografia Jacob Levy Moreno, l889-1974 de René Marineau.

O Moreno é o tipo de gênio que eu nunca serei. Schopenhauer diz: “Um homem moderado nunca será um gênio”. Não é bem verdade, afinal existiu Aristóteles e se ele não é gênio então ninguém mais é. Mas Moreno é o gênio fluido, carismático, de presença poderosa. Eu estou a meio caminho de tudo isso… Judeu nascido na Romênia, cresceu e estudou em Viena na Áustria, aos 36 anos foi morar nos EUA. É mais conhecido como o criador do Psicodrama e da sociometria, além de ser pioneiro em psicoterapia de grupo e ter contribuído (pouco) em um projeto de gravação de áudio em mídia, o que o levou aos EUA. As técnicas do psicodrama me despertaram o interesse tão logo as conheci e mergulhei fundo, lendo tudo que encontrava sobre ele. O encontro com o psicodrama, a análise transacional e a sociologia de Goffmann, eis as situações em que pensei: “Finalmente encontrei.” É uma pena que todos eles tenham feito uma curva e desviado do que busco. Moreno é o mais ousado pesquisador das ciências humanas que já encontrei.É uma pena que o fato de ser um homem prático demais o tenha impedido de elaborar ainda mais suas teorias. Ele assim como Berne e Goffmann fazem uso do conceito de papel, desempenho de papel. Eu sempre soube que a coisa devia começar por aí, mas ele tentou realmente fazer ciência com isso. O que é bom, mas era preocupado demais com psicoterapia. Mal que tem em comum com Berne. Conheço poucas pessoas que desempenharam tão bem o papel Deus-encenado. Aprendi muito com Moreno e suas teorias. Ele também poderia ter chego ao jogo que busco.

Ludwig Wittgenstein (1889 – 1951)

Austríaco – Inglês

O que li dele: Tractatus, Investigações Filosóficas e as seguintes interpretações: Lógica e Forma de Vida – Alexandre Noronha; Iniciação ao Silêncio – Paulo Margutti e A Viena de Wiitgenstein – Janik e Toulmin

Foi Wittgenstein quem eu escolhi para fazer minha monografia na faculdade de filosofia. Meu objetivo foi reconstruir o argumento central do Tractatus, conceito por conceito. Recriar seu sistema filosófico para ver como ele era articulado, como funcionava, o que explicava, qual era seu custo e o que ele acarretava. Esse é um dos últimos grandes sistemas da filosofia contemporânea, eu queria conhecê-lo a fundo para saber o que estava sendo abandonado e porquê. Claro, eu também gosto de lógica. É engraçado e curioso pensar que quando todos estudam tabelas de verdade, tópico de raciocínio lógico (lógica) para concursos estão tendo contato com uma descoberta de Wittgenstein. Eu gosto mais do jovem Wittgenstein, o rapaz apaixonado, intenso e explosivo. A expressão perfeita do tipo de gênio que Schopenhauer e Moreno foram. Ler o Tractatus é dureza, mas há bons comentadores. O melhor deles é Iniciação ao Silêncio de Paulo Margutti. Em seguida vem Lógica e Forma de Vida de Alexandre Noronha. Quando pela primeira vez compreendi Wittgenstein e o desfecho dramático do Tractatus eu percebi o quanto ele é genial. O Tractatus é genial. É mesmo uma pena que eu não possa aceitar sua filosofia.

Hermann Hesse (1877 – 1962)

Alemão – Suíço

O que li dele: O Jogo das Contas de Vidro; Narciso e Goldmund; Lobo da Estepe; Sidarta e Demian.

Eu queria ter conhecido Hesse. Mais do que qualquer outro dos homens listados aqui. Eu cheguei a ele após ler que O Jogo das Contas de Vidro foi uma das inspirações de Bertallanfy para sua Teoria Geral dos Sistemas. O livro conta a vida de José Servo, desde criança quando foi selecionado para estudar nas escolas de elite até se tornar o mestre do jogo de avelórios. O tal jogo não é apenas um pretexto para a história e nem é pura invenção, é algo visivelmente presente na história da filosofia e das religiões. Está em Pitágoras, Platão, Cusa, Hegel… e mesmo nas ciências: Ludwig von Bertalanffy, criador da teoria geral dos sistemas, reconhece em O Jogo das Contas de Vidro um antecessor literário de sua teoria (vide o livro Teoria Geral dos Sistemas). O modo como o autor apresenta o caráter de José Servo, sua mistura de ousadia e timidez, sua servidão e sua liberdade é algo belíssimo. O livro fala sobre a formação espiritual, da busca da plenitude, da busca pela quietude espiritual. Embora seja dito futurista, tem-se a impressão de que a história se passe em um mosteiro do século XIII. O livro inclui também algumas poesias de Jose Servo e três textos de sua autoria. Pra mim, tratando-se de literatura, é o que de melhor se produziu até hoje. Ao me deparar com a resenha de Narciso e Goldmund eu fiquei curioso, era muito semelhante a uma ideia para um romance que tenho. É estranho, tenho a sensação de que Hesse escreve pra mim, para alguém com a mesma estrutura de existência que eu. Eu soube de antemão o que aconteceria com cada personagem dele, tamanha a minha intimidade com a estrutura de sua narrativa. Se pudesse encontrá-lo, eu teria pedido benção e o chamaria de Mestre.

Kurt Lewin (1890 – 1947)

Polonês – Americano

O que li dele: Princípios de Psicologia Topológica; e o estudo Psicologia Estrutural em Kurt Lewin de Luiz Alfredo Garcia-Roza. Devo adquirir em breve Teoria Dinâmica da Personalidade e Problemas de Dinâmica de Grupo.

O homem que mais empreendeu esforços para tornar a psicologia uma ciência dura. Em sua psicologia topológica ele usa topologia, um ramo da geometria, para descrever situações e interações entre o homem e o mundo, criando uma equação para o comportamento que ficou famosa: C = f(S) que é o mesmo que C = f (P + A). O comportamento é uma função do campo psicológico total (S), que é a junção do estado atual da pessoa mais o ambiente. Some isso a um sistema vetorial de forças e temos sua psicologia topológica, a melhor tentativa de matematizar a psicologia já feita. Seu sistema é bem fundamentado, rodeado de experiências… seria bom ver alguém tentar aprofundá-lo. O primeiro passo é conhecer bem matemática, depois psicologia, ter vivência em laboratórios e ter familiaridade com grupos. Está nele também o sonho de poder descrever matematicamente a interação humana, sonho que compartilho e que me fez conhecê-lo e admirá-lo. E Lewin foi além, fazendo análises interessantes sobre filosofia da ciência para poder conhecer melhor o estatuto epistemológico e lugar da psicologia nas ciências de seu tempo. É pioneiro em dinâmicas de grupo também, algo muito em voga hoje. O livro de Garcia-Roza sobre ele é muito bom, constitui uma introdução a sua psicologia mas está longe de ser um mero bate-papo, indo a fundo nos temas. Unindo sua psicologia topológica com a teoria dos jogos de Von Neumann o que teríamos Lewin?

Roberto Bolaño (1953 – 2003)

Chileno

O que li dele: 2666, O Terceiro Reich e Os Detetives Selvagens.

Esse homem é a prova de que se pode conviver com um gênio e nem se dar conta. Afinal quem poderia imaginar que o homem que foi lavador de pratos, monitor de acampamento e gari seria o maior escritor desse início de século? Que seria a voz mais original na literatura da America Latina e que viraria best seller nos EUA? Quem tiver fôlego para enfrentar as mais de 1000 páginas de seu livro 2666 terá a certeza de que se está diante de algo novo. Muito bem construído, muito real, muito próximo… talvez seja o único escritor em que se pode verdadeiramente acreditar hoje. Seus personagens são tão verídicos que é difícil pensar que não existem. O modo sutil como as diversas partes de suas histórias se conectam é simplesmente genial. O livro 2666 é composto de 5 romances: O primeira conta a história de 4 críticos de literatura europeus atrás de um escritor recluso e em suas buscas acabam em Santa Tereza, no México, onde supostamento o autor foi visto, o segundo narra os delírios de um professor de filosofia em Santa Tereza, que recebe os críticos assim que chegam no México, o terceiro a história de um jornalista negro americano que vai ao México fazer a cobertura de uma luta de boxe e acaba por se envolver com os amigos da filha do professor de filosofia, o quarto a história dos brutais assassinatos de mulheres que estão ocorrendo em Santa Tereza e por fim no quinto a história do tal escritor recluso e sua relação com toda essa história. As histórias se cruzam e por fim formam uma grande história, embora não de modo cronológico, e todas elas têm como palco a cidade de Santa Tereza, no México onde centenas de assassinatos brutais de mulheres, jamais desvendados, assolam a região desde os anos 90. Apesar do tamanho monumental, a trama enigmática mantém o leitor em estado de alerta até as últimas palavras, quando só então o autor oferece a solução que permite compreender o conjunto do livro. Bem bolado Bolaño, bem bolado…

Martin Heidegger (1889 – 1976)

Alemão

O que li dele: Seis Estudos Sobre Ser e Tempo e estou pelejando com Ser e Tempo.

O intimidante Heidegger. Nascerá ainda alguém que possa medir forças contra ele? Em Heidegger algo profundo foi descoberto, pelo pouco que o li e compreendo já o percebo e tenho mesmo medo de me perder em seus conceitos. Uma maneira nova de falar sobre o humano foi descoberta, e é tão profunda que ameaça tornar superficial todas as outras. É preciso dominar Heidegger para que se possa ir adiante, isto é certo. Deixo aqui o mito da Cura ou cuidado que ele utiliza numa passagem central de Ser e Tempo: “Certa vez, atravessando um rio, Cuidado viu um pedaço de terra argilosa: cogitando, tomou um pedaço e começou a lhe dar forma. Enquanto refletia sobre o que criara, interveio Júpiter [Zeus]. Cuidado pediu-lhe que desse espírito à forma da argila, o que ele fez de bom grado. Quando, porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse dado o seu nome. Enquanto Cuidado e Júpiter disputavam sobre o nome, surgiu também a Terra, querendo dar o seu nome, uma vez que havia fornecido um pedaço de seu corpo. Os disputantes tomaram Saturno [Cronos/Tempo] como árbitro. Este tomou a seguinte decisão que pareceu eqüitativa: “Tu, Júpiter, por teres dado o espírito, deves receber na morte o espírito, e tu, Terra, por teres dado o corpo, deves receber o corpo. Como, porém, foi Cuidado quem primeiro o formou, ficará sob seus cuidados enquanto ele viver. Como, no entanto, sobre o nome há disputa, ele deve se chamar Homem, pois foi feito de “humus” (terra fértil).”

 

Friedrich Nietzsche (1844 – 1900)

Alemão

O que li dele: Assim Falava Zaratustra

Erich Fromm (1900 – 1980)

Alemão – Americano

O que li dele: A Arte de Amar. Li, reli e ainda releio.

Erving Goffman (1922 – 1982)

Canadense

O que li dele: A Representação do Eu na Vida Cotidiana; Comportamentos em Lugares Públicos e Ritual de Interação

 

Soren Kierkegaard (1813 – 1855)

Dinamarquês

O que li dele: Diário de um Sedutor

Machado de Assis (1839 – 1908)

Brasileiro

O que li dele: Memórias Póstumas de Brás Cubas; Dom Casmurro; Memorial de Aires e os contos O Alienista e O Medalhão.

Fiodor Dostoiévski (1821 – 1881)

Russo

O que li dele: Crime e Castigo; Os Irmãos Karamazov; Niétotchka Niezvânova e Um Jogador.

Joseph Campbell (1904 – 1987)

Americano

O que li dele: O Poder do Mito

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